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Quarta Colônia (152)

De Doisac
Quarta Colônia
Data de Publicação18 de setembro de 2009
EncartadoDiario de Santa Maria
CirculaçãoCidade de Santa Maria
Produção Jornalística Dois Assessoria de Comunicação


Especial Cidades & Cotidiano

Fazer e rezar pela paz

Da trajetória interrompida, um exemplo eterno de coragem

Pelo interior do Estado, enfrentaram dificuldades. Além das adversidades da natureza, o conflito entre Maragatos e Chimangos estava em pleno desenvolvimento. Mortes eram comuns à época, e o empreendimento deles era especialmente este – evitá-las. Alguns poucos encaravam os perigos do conflito, todavia, dois corajosos religiosos deram à própria vida em busca de paz no Rio Grande. Espanhol de nascimento, um era Padre Manuel, que adotou o Rio Grande do Sul e fixou residência em Nonoai. O segundo, um coroinha, nascido no município de Dona Francisca, na hoje Quarta Colônia. Era ele o pequeno quem auxiliava o Padre nas atividades da paróquia. A dedicação do jovem era tamanha que lhe rendeu o convite para seguir em missão pastoral. O objetivo, movido pela crença na vida, foi interrompido brutalmente na localidade de Feijão Miúdo, em Três Passos. Padre Manuel Gómez Gonzalez e o coroinha Adílio Daronch. Foram eles que acabaram executados.


Martírio sentido, fé encorajada - As páginas da história revelam que, em 1924, devido à vacância da Paróquia de Palmeira das Missões, o Bispo de Santa Maria determinou Padre Manuel para o atendimento dos cristãos do sertão do Alto Uruguai. Lá ele devia batizar, celebrar casamentos e primeiras comunhões, além de catequizar o povo daquela vasta região. Isso sabendo dos perigos que devia enfrentar – A cruel Revolução de 1893 deixou sentimentos de vingança e violência em muitos corações e teve quase continuidade na Revolução de 1923. Homens violentos e vingativos, sem seleção alguma, integravam os corpos provisórios da infantaria, espalhando a morte e o terror por onde passavam. A região norte do Estado, o Alto Uruguai, foi a primeira a sofrer pela revolução, por anos de sangue, saques e baixas vinganças, segundo Enio Felipin e Teresinha Derosso, em publicação no ano de 2003. Nessa época, Padre Manuel pôs-se à missão. No seu caminho, numa perseguição pelas comunidades de colonos, ele e seu fiel companheiro, o coroinha, filho da nossa Dona Francisca, caíram numa armadilha. Primeiro amarrados, depois maltratados. O espírito missioneiro e o profetismo do padre foram interrompidos por dois tiros. A garra e a juventude dedicadas a Deus se calaram ao som de três tiros no menino Adílio. Beatificados em 2007, na cidade de Frederico Westphalen, Padre Manuel e Adílio são adorados pela comunidade de Dona Francisca. A cidade natal do primeiro coroinha beatificado no mundo orgulha-se de seu filho, e tem nele um exemplo de fé e coragem. Segundo Cassiana Vendruscolo, no trabalho “Potencialidades turísticas do espaço urbano de Dona Francisca/RS”, o município é predominantemente católico e mostra tendências para o desenvolvimento do Turismo Religioso, o que explica a numerosa demonstração de fé dos devotos.


Créditos: Arquivo Emater


Dona Francisca demonstra sua fé nos beatos

Dia 27 de setembro acontece a segunda edição da Romaria Regional, em Dona Francisca. O evento, promovido pela Igreja Matriz São José, presta homenagem aos beatos Padre Manuel e Adílio Daronch. “Somos privilegiados por termos a oportunidade de, não só nestes dias, mas em todos demais, de rezar como se dependesse só de Deus e de fazer como se dependesse somente de nós. O exemplo do Padre e do coroinha afirmam a coragem”, disse o Padre do município, Valdir Bisognin. Confira a programação:

  • Dias 24, 25 e 26 de setembro – Tríduo na Igreja Matriz São José
  • Dia 27 de setembro
  • 9h30min: Início da Romaria Regional, com saída do Monumento aos Mártires. O percurso será acompanhado pela procissão de motos.
  • 10h30min: Missa festiva na Igreja Matriz São José, com o coral Vozes do Vale.
  • 12h: Almoço no Ginásio Cinquentenário.


Leia também

  • O Silvestre e o Domesticado, a fabulosa história da edição
  • Arquitetura, gastronomia, beleza e empreendedorismo num único lugar
  • A importância da agricultura familiar no contexto regional


Pesquisa & Realidade

O Silvestre e o Domesticado

Minha mãe era contrária a qualquer intenção de fazer dano seja a pessoas ou a animais. Regra que incluía os de criação, silvestres e os da nossa própria espécie. Disso recordo de quando morávamos na rua Becker Pinto, antiga Vila Leste, que depois passou a ser Bairro Menino Jesus e hoje, acho, que é Dores. Esta rua, antes de ser calçada ou “empedrada” como dizia meu pai, em certos pontos onde a água da chuva se acumulava, juntava areia e um destes ficava entre a nossa casa e a do vizinho. Neles os pardais, em dias ensolarados, costumavam banhar-se. Certo dia, logo após o almoço, saí para comer bergamota na casa do Basso e os pardais estavam a rebolcar-se na areia. Para incomodá-los, agarrei uma pedra e atirei. A minha intenção era assustá-los, não atingi-los. Mas não é que eu certei um dos passarinhos?! Agarrei-o, desacordado ou morto, e corri para o tanque de lavar roupas. Era costume da minha mãe mantê-lo cheio com água limpa e mergulhei o pardal na água. Na segunda imersão ele voltou a si e o senti mover-se entre meus dedos. Aparentemente ele não estava ferido e seu coraçãozinho batia acelerado. Abri a palma da minha mão, ele deu uma sacudida na água do corpo e alçou vôo até a cumeeira-da-casa do meu padrinho. “Ufa!!” Minha mãe aparece na janela e, ao ver a minha cara de felicidade, perguntou: “Que cara é essa?” “Nada!” Respondi surpreso. Deu aquela olhada firme, como se dissesse “hunnn, eu te conheço”. “Vai trocar essa camisa”, disse ela. Foi só então que percebi que eu estava com a frente da camiseta toda molhada, devia ter sido no momento submergi o passarinho no tanque. “Tá quente mãe. Logo seca”, disse eu. “Troca!”, voltou a seus afazeres domésticos ela. Eh!!! Eu podia seguir dando verdade às palavras da minha mãe quando ressaltava os predicados de sua criação e, um deles, era que “respeitavam a natureza”.

Desde que comecei a dirigir (a Bianca ronrona deitada no meu colo) e isto não faz muito tempo (13 anos) - já não posso dizer o mesmo. O atropelamento por veículos é uma das causas de morte mais frequente de animais silvestres e de criação nas estradas. Nos períodos da colheita do arroz, é impressionante a quantidade de pássaros no leito das estradas comendo grãos e que, quando atropelados, passam ser alimento para outros animais noturnos, muitos em extinção. Animais que só nos damos por conta da sua existência quando os encontramos mortos nas estradas. Graxains-do-mato, Coatis, Mão-peladas, Zorrilhos, Iraras, Furões, Lontras, Gato-Mourisco, Gatos-do-mato pequenos, Veados, Preás, Lebres, Lagartos, cobras... Os répteis, em especial as cobras, estas são as espécies desejadas e o condutor faz prodígios no volante para ter a satisfação de matá-las. É algo muito doentio. Outro problema para a preservação da fauna são os cães criados soltos no meio rural, não vou entrar aqui na questão sanitária (das zoonoses do qual ele é hospedeiro), mas da caça de espécies animais em extinção, entre elas o Veado (Mazama sp.). Numa conversa com alunos, na extinta escola do Val Veronês, entre Silveira Martins e Faxinal do Soturno, eles me contavam, em detalhes, a perseguição de uma matilha de cães atrás de um veado. O cervícula tinha seus dois quartos traseiros feridos e, com a intervenção dos alunos, que também tentaram capturá-lo, conseguiu meter-se no mato. Se ele escapou de ser comido pelos cães, acredito que não deva ter se salvado dos efeitos das mordidas sofridas. Outro animal de criação e que faz um pente fino no entorno das residências rurais são os gatos de criação. Eles não dão trégua às espécies nativas e é comum vê-los caçando nos entardeceres.

Um terceiro fator, para a preservação da nossa fauna silvestre, é seguir reduzindo a caça, cultura arraigada e que deve ser combatida nas escolas com muita informação. Outro dia estava na Pousada Recanto, São João do Polêsine, escutei o canto de um pássaro que me pareceu ser de um Tucano (Ramphastos dicolorus). Isto me levou a ficar atento nas copas das árvores de onde vinha o canto. Era um dia de céu limpo e os ví maravilhosos e maravilhado pousarem sobre os ramos secos de um abacateiro. Suas cores (preto, amarelo e vermelho) se iluminarem sobre o azul da tarde. Sim! Eles estão lá com os bugios e todas as demais espécies que fazem parte da nossa fauna e se alimentam da nossa flora e nós temos o dever de preservar esses ambientes para que a vida tenha continuidade.

Secretário Executivo do CONDESUS

condensus@quartacolonia.com.br


Teu causo

Todo mundo sabe alguma história interessante sobre o lugar que mora. Os velhos “causos”, que passam de geração em geração, constroem a história das localidades e nossas próprias vivências. Aquela lenda que assombrou a infância do pai, hoje é contata informalmente pelo filho – e assim, as tradições se perpetuam, passando de boca em boca. Ou então, conhecemos uma história imperdível, figuras que devem ser conhecidas, espaços carentes de visitas. Há tantas possibilidades ainda desconhecidas, não? Aqui a Quarta Colônia ganha espaço para mostrar-se em essência, perpetuando “causos”, contando histórias ou relembrando fatos. Por isso, seu contato é fundamental. Envie suas sugestões e críticas! Converse conosco através do e-mail contato@cadernoquartacolonia.com.br.


Quarta Colônia Viva

Do berço, o progresso

Conhecida como o berço da Quarta Colônia, Silveira Martins é ponto significativo no contexto regional. Emancipada de Santa Maria em 1987, o município mescla as belezas de um passado cheio de histórias e um presente onde a natureza é presença constante. A cidade, assim como os demais municípios da Quarta Colônia, valoriza seus traços significativos – sua arquitetura marcante, as delícias de sua gastronomia e as belezas naturais. O turismo é ponto forte de Silveira Martins, estimulado pela localização privilegiada do município. Com economia baseada no cultivo do feijão, soja, milho e da batatinha, a cidade tem sua produção predominantemente relacionada à agricultura familiar.

Oportunidade – O comércio e a economia do município estão gozando de uma chance promissora de crescimento. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), através da expansão proposta pelo programa de apoio a Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, estendeu sua área de atuação. A UFSM montou um campus em Silveira Martins, e desde o início de setembro, oferece cursos tecnológicos em áreas como gestão ambiental e turismo. É a Unidade de Ensino Superior em Silveira Martins (UDESSM), que temporariamente funciona junto ao Colégio Bom Conselho. A extensão é vista pela comunidade como uma oportunidade para o município. Espaço que acolheu imigrantes corajosos que batalharam para sobreviver na região, a cidade novamente é palco de atividades empreendedoras. As expectativas são promissoras, e Silveira Martins desponta como uma nova cidade universitária.


Nossa Gente, Nossa Terra

O dono da descoberta

Foi ainda em 2002 que a ideia surgiu para o senhor Felisberto Antônio Barros (foto), médico veterinário aposentando e sócio-proprietário da Indústria Santa Eulália Ltda, em Silveira Martins. Nos aposentos rústicos da casa dividida com a esposa, dona Marisa, onde objetos refletem a mistura da cultura italiana com a tradição gaúcha, o senhor de voz grossa, desgastada pelo tempo, anunciou: - vou fazer vinho de batata.

O projeto inusitado era na realidade uma tentativa de colocar em prática o conhecimento na área de enologia. E deu certo, apesar do gosto característico de álcool da mistura. A destilação da bebida mostrou o porquê - o teor alcoólico alcançou 45%, 33% a mais do que em vinhos feitos de uva. O gosto forte não impediu o maior elogio já recebido pelo senhor Felisberto: - “Lacqua de la vi”, proferiu o italiano degustador de vinhos de uma cantina onde o inventor levou a descoberta. A “água da vida”, segundo tradução do senhor Mário Bonela, sogro de Felisberto, deu nome ao destilado de batata, Aquavit.

O sucesso da bebida lançou Felisberto em uma trajetória de sete anos investigando as propriedades da batata e trabalhando, ao lado da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em pesquisas sobre a aplicação de substratos do tubérculo na agricultura, na saúde humana e no ramo de cosméticos.

Hoje - Com os projetos testados e os resultados positivos, agora é hora de levar as inovações para todo o País. Um grupo econômico do Mato Grosso do Sul adquiriu a patente das descobertas do senhor Felisberto e irá produzir, em quantidades generosas, os produtos originários da batata. O senhor Felisberto pode ter perdido o título de único produtor de destilado de batata autorizado no Brasil, concedido pelo Ministério da Agricultura, mas está prestes a ver seu esforço reconhecido, impactando na agricultura familiar de todo o País.


Acontece

O futuro é aqui

Os anos passam, a tecnologia evolui e a atividade que era considerada somente de subsistência ganha outro nome: empreendedorismo. O homem do campo também é homem de negócio. E a chamada Agricultura Familiar tem um papel crucial na economia das pequenas cidades. Na Quarta Colônia, o universo é literalmente promissor. E, ao que tudo indica, a cuca da nona, o salame, o biscoito, o destilado, o suco e por aí, têm valor não só nas grandes e fartas mesas da família da colônia, mas no mercado. Segundo dados da Emater, o aspecto desafiante, no entanto, é fazer tudo aquilo que a Agricultura Familiar comporta em uma velocidade compatível com o processo de transformação que ocorre no Brasil e no mundo, caracterizado por um mercado globalizado, aberto e competitivo. O engenheiro agrônomo Jorge André Zacarias, gerente regional da Emater, revela que, na pequena propriedade, o empreendedorismo passou a marcar território quando os personagens da região passaram a agregar valores às atividades desenvolvidas e a buscar uma nova matriz produtiva. “A agroindústria vem desenvolvendo-se de forma constante”, afirma Zacarias. Ele ressalta a formação de associações entre as agroindústrias e a conquista de novos mercados. Para ele, outra vantagem denota o cenário promissor: “os municípios da quarta colônia vêm apresentando um desenvolvimento quase que uniforme e vários se destacam pelo envolvimento mais estruturado de suas comunidades”. Deste modo, o futuro acena para a atividade e a promoção da agricultura familiar como linha estratégica de desenvolvimento rural parece vir junto.


Box

Desenvolvimento Regional é o objetivo - No dia 14 último reuniram-se, no Clube Cruzeiro, em Faxinal do Soturno, representantes dos Núcleos Gestores dos municípios, para discussão de propostas a serem incluídas no Plano de Desenvolvimento Regional. O encontro foi aberto com uma exposição técnica das diretrizes e ações pensadas na esfera técnica. Quem apresentou foi Izabele Colusso, arquiteta urbanista, mestre em Planejamento Urbano e Desenvolvimento Regional. Logo depois, o assessor jurídico Jose Luis de Moura Filho falou sobre a maneira como está sendo pensada a organização do Plano. Para finalizar, os participantes foram divididos por temas - Sistema Urbano, Sistema Relacional, Sistema Produtivo, Sistema Fisico Ambiental e Sistema de Gestão. Os grupos de trabalho apresentaram ideias e conclusões.


Agenda

São João do Polêsine festeja a padroeira dos agricultores

No final de semana mais gaúcho do ano, São João do Polêsine festeja Nossa Senhora da Salete. A 42ª edição da festa acontece nos dias 19 e 20 de setembro. Confira a programação: 19 de setembro: Partindo da Igreja Matriz de São João do Polêsine, às 19h, acontece a 1ª caminhada penitencial luminosa, tendo por tema “Na Luz de Salete”. 20 de setembro: Na Igreja Matriz, às 10h, acontece a missa em homenagem a Nossa Senhora da Salete e a bênção das sementes. Ao meio dia, no Salão Paroquial, ocorre um almoço festivo. No cardápio, sopa de agnolini, risoto, galeto, bife à milanesa, saladas, cucas e pães. À tarde, há a bênção da saúde e ,encerrando a festa, a extinção da chama crioula e mateada com apresentações artísticas. O valor do almoço será de R$14,00, e a reserva pode ser feita pelo telefone (55) 8138 6190.

O Rio Grande é homenageado na Quarta Colônia

  • O CTG Estância do Sobrado, em Pinhal Grande, promove amanhã (19), no salão da capela São João Maria Vianney, as comemorações pelo Dia do Gaúcho. O evento é aberto para a comunidade, que às 15h poderá acompanhar a missa crioula com os cavalarianos, e às 16h, a mateada com música ao vivo. Mais informações através do número (55) 3278 1123.
  • Ivorá também celebra o Dia do Gaúcho. A XV Semana Farroupilha e a XIX Semana Cultural da cidade serão realizadas entre os dias 18 e 23 de setembro. Um dos pontos altos é a tradicional Noite do Filó, que acontece na quarta-feira (23), com participação do Coral Del Grappa, e apresentação do cantor e compositor João Chagas Leite. Para quem não conhece, filó é um costume italiano onde famílias inteiras se deslocavam, a pé, de carroça ou a cavalo, para visitar amigos e parentes, no entardecer, e assim colocar a conversa em dia e ainda fortalecer os vínculos existentes. Em Ivorá, o evento acontece no Salão Paroquial e o ingresso é um prato doce ou salgado.
  • Os farroupilhas e suas façanhas está em andamento em Restinga Sêca desde o último sábado, dia 12 de setembro. As celebrações iniciaram com a chegada da Chama Crioula na Praça Domingos Mostardeiro, sede do Rancho Crioulo Olinto Batista, e vão até o dia 20 de setembro. A programação inclui jantares e desfile farroupilha.